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Criopreservação de sêmen em adolescentes e pré-puberes

Nos últimos 30 anos, o prognóstico do câncer em crianças e adolescentes mudou drasticamente. Felizmente as mudanças são positivas, ou seja, o prognóstico geral do câncer melhorou nesta faixa etária nas ultimas décadas.  Atualmente, as taxas de cura já ultrapassam 80, 90% em alguns casos, principalmente devido aos avanços no campo da quimioterapia, radioterapia e cuidados com o paciente oncológico.

Um dos pontos atuais bastante discutidos é que estas crianças e adolescentes, quando abordamos especificamente o sexo masculino, alcançarão a cura, mas muitas vezes com seqüelas irreparáveis. Uma das principais é a perda do potencial reprodutivo, a redução da fertilidade masculina após o tratamento do câncer na fase pré-puberal e adolescente. Para adultos do sexo masculino, é já estabelecida a necessidade de oferecermos a criopreservação de sêmem antes do tratamento oncológico, mas em crianças e adolescentes tal assunto muitas vezes é deixado de lado.

O motivo principal é que na fase pré-puberal ainda não há amadurecimento das células germinativas até a etapa de espermatozoide maduro e na fase pós puberal (adolescente) este tema talvez ainda carregue inúmeros tabus que levem a falta de abordagem e iniciativa para crio-preservação  sêmen. Outra justificativa muito importante é o curto período de espaço entre o diagnóstico do câncer e o inicio do tratamento, que muitas vezes impossibilita a logística para a iniciativa de criopreservação. Outro aspecto fundamental é a grande variação de amadurecimento germinativo entre as idades de 13 a 18 anos, explicando mais claramente: ha meninos de 14 anos ainda apenas com espermatogônias e outros na mesma idade já com espermátides alongadas e espermatozoides.

Apenas uma análise seminal bem apurada poderia ajudar a detectar tal fase antes da decisão pela criopreservação. Devemos lembrar que a coleta de sêmem, por masturbação, em menores de idade, é assunto cercado de detalhes legais e éticos muito delicados. Alguns centros no mundo propõem a coleta por vibro-estimulação ou eletroejaculação, com a criança sedada.

Opções atuais de preservação da fertilidade para meninos:

1- Criopreservação de sêmem – método já estabelecido e seguro, cuja preservação garante a fertilidade por décadas – vale destacar que a analise seminal pode já estar comprometida em pacientes com câncer testicular, leucemias e linfomas de Hodgkins. As possíveis vias para obtenção dos espermatozoides são: ejaculado, punção do epidídimo, punção testicular, eletro-ejaculação, vibro-estimulação e na urina pós ejaculação.

2- Criopreservação de tecido testicular – ainda em caráter experimental – neste caso indicada em pacientes pré púberes e com a garantia de termos apenas células germinativas imaturas, espermatogônias. Em futuro breve, as expectativas giram em torno do amadurecimento destas células in-vitro e do transplante de células germinativas, conhecidas como spermatogonial stem cells (SSCs).

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